terça-feira, 17 de maio de 2011

Era só um dia de chuva (há dez anos)

Deseternidade
                                       Charles Figueiredo


O que somos nós?
Que espectro, que essência nos preenche?
Ânsia?
Desespero?
Sofreguidão?
Desejos?
Necessidade de libertação,
De sermos por inteiro o que somos.
Somos muitos,
Partes de um todo.
Somos o todo em nossa totalidade.
Esperamos uma manhã
Doce,
Límpida,
Onde o baço cristal se rompa ao cantar de aves:
Vozes do conhecimento.
Princípio de tudo,
Brios e princípios,
Escrúpulos.
Conheço eu a vós?
Sei apenas o que importa
E isso é tudo que preciso saber.
Não, não cantemos o amanhã
Sua vinda é imprescindível,
Inevitável
E ele será tudo o que tiver de ser.
Celebremos o agora,
Dancemos ao som do adufe  e da flauta
Loucamente,
Inconsequentemente
E que essa loucura seja santa,
Branda, doce e santa,
Intensa, viva e santa
Porque dentro de nós,
Em nossa eterna retidão,
Moram demônios que preferimos por a dormir.
Que eles durmam
E nós nos conheçamos.
Que eles durmam,
Pois nós não nos controlamos.
Que eles durmam
E despertem sempre bêbados
Para que nós nos entendamos.
Que eles nunca morram,
Para que em nós haja sempre o equilíbrio:
Haveria o bem em mim sem o meu mal?
Somos poucos,
Somos fracos,
Migalhas de restos de átomos do universo.
O que no faz especiais?
Amamos o outro para não sermos esquecidos.
Construímos com o outro, para sermos perpetuados.
Estabelecemos relações para nos mantermos vivos.
Vida de nuvens de pontos infinitos...

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