terça-feira, 24 de maio de 2011

escritos antigos

Fome de amor
Charles Figueiredo

Eu sou nascido das entranhas de um mundo mau.
Comparado a um filho teu, eu sou o marginal,
A ferida que na vida apareceu.

Eu sou o retrato do descaso de um país
Que por natureza é verde e se diz feliz
Matizando de amarelo a fome de um infeliz.

Do que me vale o teu falar
Se não vens a minha fome saciar?
Do que me valerá o teu sorrir
Se ele é tão frio e vazio está o teu coração?
Tente entender e agir
Não basta compaixão.

Eu sei que existe tanta gente que ainda pensa ser
Um ser especial, transcendental ou cheio de poder
Talvez essas pessoas morram sem saber
Que são tão iguais a mim ou até pior
São almas gêmeas dos detritos que estão no pó.

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