segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quem vem lá?

       Por sermos seres sociais nos vemos em constante necessidade de interação, criação de laços de qualquer sorte. Ninguém é tão completamente só quanto pensa, entretanto muitas relações não são tão verdadeiras e íntegras quanto aparentam.
       Já disse anteriormente que há na atitude humana sempre o estigma do egoísmo: marca profunda, indelével. Porém, houve uma época que acreditei na existência de um altruísmo que esperava como retribuição a saciedade da fome de sentir-se útil, importante, imprescindível (o que não deixa de ter o rastro do egoísmo já que perpassa uma satisfação pessoal), mas válido por ser extensivo a outro ser que não o próprio umbigo.
       Por vezes me deparei com situações nas quais grande parte dessas supostas ações altruístas se esboroaram sem maior valia descartada como bagaço de laranja espremida e sorvida... por vezes pensei ter aprendido ( o ser humano, por acaso aprende alguma coisa e guarda-a pra sempre nessa vida miserável?) e repetidas   vezes cometi o mesmo erro de acreditar, de ser sensível ao outro... tolice! Não quero afirmar em termos de vingança que a primeira pessoa do singular tem sempre razão, mas o fato é que mesmo não tendo razão e reconhecendo e tentando retratações sempre seremos lembrados pela falha: a velha história do 1% de malignidade sobrepujando os 99% de bondade.
       Quando no mais profundo momento de necessidade nunca há alguém por perto da maioria dos aflitos, dor é coisa que se vive e carrega sozinho. É preciso criar as cascas, as proteções, é preciso indagar sempre: "Quem vem lá? O que deseja?", é preciso escutar a resposta para saber como agir, é preciso correr pra muito longe se a resposta não vem ou se demora a se esclarecer, pois a vida acontece num tempo que urge e é por demais escasso para ser desperdiçado na espera.
       É preciso entender uma coisa, com urgência: em nossa história pessoal somos sempre os artistas principais e o palco é pequeno demais pra dividirmos os holofotes com os atores coadjuvantes de segunda classe que não merecem sequer o espaço na coxia como contra-regra.É preciso urgência na dispensa de pesos mortos de nossas vidas que nelas entram sob o manto falso da palavra AMIGO. É preciso poupar o ouvidos das declarações falsas, podar da alma os galhos aniquilados que não resistiram ao sol da verdade e mais que tudo é preciso entender (e isso leva tempo) que o amigos verdadeiros (com egoísmo e tudo por que isso constitui a essência humana) cabem,  com folga, na conta dos dedos de uma única mão e nisso não há demérito algum, pelo contrário, felizes são aqueles que podem usar dois dedos para enumerar os amigos que tem. Se pararmos pra analisar com meticuloso cuidado perceberemos que são sempre esses que aparecem não quando o copo de cerveja está cheio e a carteira estufada, não quando fez sol nas manhãs de domingo e o convite pra viajar foi inevitável, mas quando a vontade de largar o lazarento desterrado é sobrepujada pelo amor da frase: " não posso deixá-lo aqui no chão, ele é meu amigo! Estes às vezes somem por longo tempo, podem nem dizer todos o dias "eu te amo" ou simplesmente nunca dizerem, pois suas ações no momento mais preciso já falam por si e são superiores e a toda e qualquer palavra.
    Somos seres coletivamente sós, mas o bom é que a solidão é compartilhada por aqueles que são iguais a nós. E acredite, muito difícil é encontrar os iguais aos quais se pode chamar AMIGOS. Bom é ser polido e cortês com os que pela vida andam e pelo caminho aparecem, para que a polidez e a cortesia seja retribuida a você e se isso não acontecer ignore-os como se nunca tivessem existido porque até o ódio é peso demais pra ser carregado por conta daqueles não valeram os partos das infelizes que os puseram no mundo.
      Não se aproxime se não for ao menos de paz... aos meus três amigos, meu muito obrigado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário